Além das medicinas do sono, paliativa e tropical, que passam a existir oficialmente, também foram ampliadas as áreas de
atuação da medicina de dor e da hepatologia
A Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM)
href="http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/CFM/2011/1973_2011.htm" target="_blank">1973/2011, publicada no Diário
Oficial da União do dia 1º de agosto, cria três novas áreas de atuação médica: medicina do sono, medicina paliativa e medicina
tropical. Área de atuação é um ramo de especialidade médica. Ao ingressar em programa de residência da especialidade infectologia,
por exemplo, o profissional pode, a partir de agora, receber treinamento adicional específico na área de medicina tropical.
"Mudanças nas características de determinados ramos da medicina exigem adaptações de nomenclatura e de distribuição das
atenções profissionais; isso é próprio do caráter orgânico da profissão", avalia Carlos Vital, 1º vice-presidente do Conselho
e membro da Comissão Mista de Especialidades. A resolução aprovada pelo CFM entra em vigor na data de sua publicação.
Medicina paliativa
A resolução do CFM associa a área de medicina paliativa às especialidades clínica médica, cancerologia, geriatria e gerontologia,
medicina de família e comunidade, pediatria e anestesiologia. De acordo com a médica Maria Goretti Sales Maciel, diretora
do Serviço de Cuidados Paliativos do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo, a criação da área traz mais
visibilidade a um tipo de trabalho médico que já existe e é realizado com rigor científico.
"A medicina paliativa foi reconhecida no Reino Unido em 1987. A assistência e os estudos da área avançaram muito desde
então; processo análogo deve ocorrer aqui", ressalta Maciel, que é membro da Câmara Técnica sobre Terminalidade da Vida e
Cuidados Paliativos do CFM e foi a primeira presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP).
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que 65% dos portadores de doenças crônicas que ameaçam a vida necessitam
de cuidados paliativos. Com a publicação da norma que cria essa área, a Comissão Nacional de Medicina Paliativa da Associação
Médica Brasileira (AMB) definirá os critérios para o reconhecimento dos primeiros paliativistas titulados do País.
Medicina tropical
A área de atuação medicina tropical, vinculada à especialidade infectologia, é dedicada ao estudo e tratamento de doenças
como malária, febre amarela, dengue, esquistossomose e leishmaniose, típicas de regiões tropicais. Na avaliação do médico
Juvêncio Dualib, chefe do Setor de Infectologia do Hospital de Heliópolis, em São Paulo, a especialidade é derivada do campo
de estudo da medicina tropical, mas atualmente abrange um vasto número de doenças.
"A medicina tropical ocupa importante espaço da infectologia, por isso há infectologistas que se dedicam especificamente
a doenças tropicais; com o reconhecimento da área, os pacientes passarão a saber que existem especialistas dedicados a esse
grupo específico de doenças", afirma. Dualib é professor da Faculdade de Medicina do ABC e ex-presidente da Sociedade Brasileira
de Infectologia, instituição que deverá aplicar as provas a que deverão se submeter os médicos que buscarem titulação na nova
área.
Outras mudanças
Com a resolução, a área de atuação de dor, que era associada somente às especialidades anestesiologia e neurologia, passa
a ser associada adicionalmente a acupuntura, medicina física e reabilitação, neurocirurgia e ortopedia e traumatologia. Além
disso, a especialidade medicina legal passa a ser denominada medicina legal e perícia médica. Deixaram de ser tratadas como
áreas de atuação: cirurgia de coluna, perícia médica, reprodução humana e medicina aeroespacial. Também houve ampliação no
número de especialidades vinculadas à área de atuação hepatologia, que, a partir de agora, ainda manterá ligações com a clínica
médica e a infectologia.
Fonte: CFM